Dia 3 sem Instagram: as notícias ainda encontram você
- haryane santos

- há 2 dias
- 2 min de leitura

Quando comecei esse projeto particular fora do Instagram, eu tinha uma lista mental enorme dos motivos que me levaram a tomar essa decisão, alguns deles citados no primeiro texto. Mas acho que o que aconteceu ontem trouxe um motivo que, embora não fosse novo, ganhou uma nova perspectiva para mim e trouxe uma certa preocupação em relação à minha decisão de desativar o Instagram.
Alguém que fez parte da minha história ao longo dos meus vinte e poucos anos morreu, e eu fiquei desesperada por mais notícias, precisava saber como e onde. Acho que é natural procurar essas respostas, principalmente quando quem morre tem apenas 42 anos.
Fiquei em estado de negação, imaginando ser um equívoco, imaginando ser uma mentira ou um mal-entendido. Eu queria respostas, mas as respostas estavam no Instagram, nas contas de amigos e familiares, e eu estava fora dessa comunidade. Então, o máximo que pude fazer foi me recompor emocionalmente e esperar notícias, como todos nós fazíamos antes das redes sociais.
E as notícias vieram.
Tudo começou com uma dor de cabeça persistente. Ele foi ao hospital porque tinha lúpus, e aparentemente qualquer coisa é motivo de investigação quando se tem lúpus. Lá descobriram que ele estava com meningite, mas antes que pudessem tratá-lo, ele morreu. Simples assim.
Foi um dia triste e de muita reflexão para mim. Pensei sobre a esposa dele, sobre a filha, que agora terão que enfrentar uma vida inteira sem ele. Pensei sobre todas as mudanças de rota e caminhos que vão acontecer na vida das pessoas próximas a ele por causa da ausência dele.
Mas acredito que a maior reflexão que eu podia fazer ali também era sobre o meu tempo e sobre como ele é finito, e como eu devo aproveitá-lo da maneira mais construtiva possível.
O leve arrependimento que tive por ter desativado a conta, por não conseguir as informações que eu queria naquele momento, acabou passando. Porque, no fim das contas, as notícias encontram uma maneira de chegar até você, as boas e as ruins também.
E ter pressa em ficar com os olhos no celular impede você de ver a vida acontecer: de ouvir realmente uma playlist que você gosta, de assistir a um filme, de estudar, de experimentar o “extinto” ócio criativo e, talvez o mais importante, de viver a vida perto de quem se ama.
3 dias sem Instagram.



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