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Roupa de casa, roupa de sair e o vestido de barquinhos

  • Foto do escritor: haryane santos
    haryane santos
  • 19 de mar.
  • 3 min de leitura



Eu amo visitar lojas de retalho. Lá, você encontra de tudo um pouco: desde tecidos que são vendidos em lojas convencionais até tecidos que sobraram do estoque de alguma marca.


Amo a expectativa da surpresa cada vez que entro em uma loja de retalhos.


Quando vi a estampa desse vestido, imediatamente me imaginei em um cruzeiro — eu, em uma cena cinematográfica, à beira da piscina de um transatlântico — e essa ideia me pareceu fascinante. Eu precisava daquele tecido! Uma viscose, fundo amarelo e barquinhos estampados.


Só tinha um problema: eu jamais subiria em um cruzeiro. Talvez sob grave ameaça, mas nunca por livre e espontânea vontade (risos). O mundo, obviamente, não aprendeu nada com o Titanic. Eu sei que não tem porta para todo mundo nessas embarcações. O Jack poderia confirmar, mas morreu afogado (tô falando muito sério). No entanto, esse fato não me impediu de comprar a peça e fazer o vestido que imaginei. Só que agora, em vez de usar à beira da piscina, eu uso em casa — e vou te falar: foi uma das melhores compras que fiz.


Quando eu era criança — na verdade, até o início da minha fase adulta, morando com os meus pais — existiam quatro tipos de roupas no meu guarda-roupa: as roupas de usar em casa; as roupas para usar perto de casa (padaria, casa da vizinha, feira…); as roupas de sair; e as especiais, que incluíam todas as peças que não eram usadas com tanta frequência (roupas de festa, biquínis e — no meu caso, vou incluir — roupas de academia…). E a organização do meu guarda-roupa seguiu esse parâmetro durante muito tempo, mesmo depois de sair de casa e morar sozinha.


O vestido de barquinhos, de modelo simples e costura mais simples ainda, foi o protagonista da mudança!


Depois de costurar, confesso que ainda nutria a esperança de, um dia, ter dinheiro e coragem ao mesmo tempo para subir em um cruzeiro e usar esse vestido. Nunca aconteceu! Até consigo sentir uns lampejos de coragem, mas nunca junto com dinheiro para executar o plano. Normalmente, a coragem vem quando não tenho nenhum centavo no banco ou crédito livre — e, nas raras vezes em que meu cartão está disponível, a coragem me abandona. Claramente, um caso para Freud.


Ainda assim, minha esperança não tinha se esgotado. Eu acreditava que, uma hora ou outra, seria convidada para um banho de piscina na casa de algum amigo… o que também não aconteceu. Conclusão: meus amigos são pobres como eu (risos)!


Então, eu teria que usar ou doar. Sim, doar. Eu tinha o hábito de doar as roupas costuradas por mim que eu acreditava não ter lugar para usar. Ficava presa à dinâmica da roupa de ficar em casa e não usava nada fora do padrão. Mas decidi romper com essa dinâmica e começar uma nova divisão para o meu guarda-roupa — porque não era justo não conseguir usar aquele vestido.


É um vestido simples, eu sei, fácil de usar em qualquer lugar. Mas, por algum motivo, eu não conseguia desvincular o vestido da ideia inicial. Além disso, o tecido tem uma leve transparência, e eu não queria forrar, porque o toque dele é uma das minhas partes preferidas. Foi aí que o vestido mudou o rumo da história do meu armário, passou a fazer parte da minha vida em casa — e também abriu caminho para outras peças.


Mas, antes que você pense que agora, quando estou em casa, eu passo o dia desfilando... fique sabendo que não! A boa e velha “roupa de ficar em casa” ainda é muito usada nos dias de faxina.


Haryane Santos


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