Dia 13 sem Instagram: Não era inspiração. Era comparação disfarçada
- haryane santos

- 17 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 2 dias

Em que momento a gente começou a achar que dava para aprender a viver pelo Instagram?
Antes de apagar a minha conta, eu tentei uma outra alternativa: e se eu enganasse o algoritmo? E se eu apagasse a conta que eu tenho, começasse uma nova, privada, apenas com uns poucos amigos com quem mais me comunico hoje, e nessa nova conta eu não seguisse influencers ou qualquer perfil que gerasse ansiedade em mim? IMPOSSÍVEL. Me dei conta muito rápido de que esse plano era uma furada.
Eu, vez ou outra, fazia uma varredura de pessoas que eu seguia na tentativa de me livrar da relação tóxica que eu tinha com o aplicativo, mas voltava a seguir um tempo depois, pelo interesse que eu costumava ter em vidas aparentemente perfeitas. Acredito que o mesmo impulso de aprender a fazer algo, que nos leva a salvar uma receita no Instagram, é o impulso que nos leva a seguir pessoas que aparentam ter uma vida perfeita. De algum modo, ainda que inconscientemente, eu provavelmente nutria a esperança de um dia “aprender” a viver daquele jeito.
Porque a verdade mais dura que eu pude observar em mim é que eu tenho noção de tudo o que eu não consigo realizar tendo essas vidas "perfeitas" como parâmetro, mas vivo nutrindo em mim a esperança de estar errada. E eu deduzi que é essa esperança que me levava a seguir pessoas tão diferentes de mim e com vidas tão diferentes da minha.
Essa reflexão acabou por me levar a outro lugar: o lugar da insuficiência. Mesmo tendo uma vida confortável, com as contas pagas, saúde, família e paz, não é suficiente, porque a comparação entre as vidas das pessoas virou uma maratona desleal. A vida de ninguém é boa o suficiente, porque ela nunca se compara aos filtros e recortes das fotos perfeitas e bem focadas dos influencers.
E não adianta tentar moderar: o algoritmo foi feito para aprender o que a gente gosta, foi feito para entender o que procuramos e transformar o nosso tempo naquele lugar em um labirinto do Minotauro, em que você nunca encontra a saída porque está distraído demais para procurar. E essa distração não percebida é parte da prisão. Eu, em vários momentos, me via em vídeos relacionados ao meu trabalho e pensava: “nossa, não é apenas perda de tempo, também tem coisas aqui que podem me ajudar no meu trabalho, então não posso sair daqui”.
Acredito que eu e tantos outros usuários dessa rede social vivemos na expectativa de um dia, quem sabe, saber como conduzir a própria vida com todos os tutoriais que existem lá. Então eu percebi que não havia uma alternativa flexível ou um meio-termo possível àquela altura. A minha decisão precisava ser radical, precisava ser extrema, era o único jeito de retomar o controle sobre mim.
Dia 13 sem Instagram





Comentários